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Rio tem pior taxa de renovação de professores do país; número de docentes jovens caiu 55% em dez anos

Rio tem pior taxa de renovação de professores do país O Rio de Janeiro tem a pior taxa de renovação de professores do país. Em dez anos, o número de doce...

Rio tem pior taxa de renovação de professores do país; número de docentes jovens caiu 55% em dez anos
Rio tem pior taxa de renovação de professores do país; número de docentes jovens caiu 55% em dez anos (Foto: Reprodução)

Rio tem pior taxa de renovação de professores do país O Rio de Janeiro tem a pior taxa de renovação de professores do país. Em dez anos, o número de docentes com até 24 anos que dão aula no ensino médio caiu 55,7% no estado, enquanto a quantidade de profissionais com 60 anos ou mais mais que dobrou. Os dados mostram o envelhecimento do quadro de professores e a dificuldade de atrair novos profissionais para a carreira. O levantamento foi feito pela Escola Suíço-Brasileira do Rio de Janeiro com base no Censo Escolar da Educação Básica, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Segundo os dados, o número de professores de até 24 anos no ensino médio fluminense passou de 625 para 277 em dez anos. Já o total de docentes com 60 anos ou mais subiu de 2.587 para 5.254, um crescimento de 103,1%. Atualmente, há um professor com até 24 anos para cada 19 docentes com 60 anos ou mais no ensino médio do estado. O Rio também tem a maior proporção de profissionais nessa faixa etária: eles representam 12,2% do quadro. Rio tem pior taxa de renovação de professores do país; número de docentes jovens caiu 55% em dez anos Reprodução/TV Globo Neste Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, histórias de quem está há décadas em sala de aula e de jovens que estão descobrindo a profissão ajudam a mostrar os desafios e as possibilidades da carreira. Professora de 73 anos inspira alunos em Nova Iguaçu Na sala de aula do Ciep 196, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a professora Peter Cohen, de 73 anos, ensina arte e incentiva os estudantes a descobrir seus talentos. Ao longo da carreira, ela também procura mostrar aos jovens que podem construir diferentes caminhos para o futuro. Professora de 73 anos inspira alunos em Nova Iguaçu Reprodução/TV Globo Para Peter, uma das partes mais importantes da profissão é ajudar os alunos a enxergar novas possibilidades. “Ensinar a sonhar. Abrir caminhos para que eles saibam que o lugar deles é onde eles quiserem estar”, diz a professora. O trabalho dela já ajudou a revelar talentos como o de Harley dos Santos, de 16 anos. O estudante foi finalista de um concurso de artes on-line na Espanha e comemora o reconhecimento de seus desenhos. Professora de 73 anos inspira alunos em Nova Iguaçu Reprodução/TV Globo “Uma experiência muito maravilhosa, porque eu tô muito feliz que os desenhos estão sendo vistos e estão sendo reconhecidos”, conta. Entre os alunos de Peter, Maria Eduarda de Oliveira, de 17 anos, é a única que pretende seguir a carreira da professora. “Ser professor é a base da vida, né? Se você não tem um professor, você não tem um aprendizado, você não caminha”, afirma. Professor começou a ensinar aos 23 anos Professor começou a ensinar aos 23 anos Reprodução/TV Globo Em meio à redução do número de docentes jovens, José Mário dos Santos Trindade é um exemplo de quem escolheu a sala de aula ainda no início da vida adulta. Professor de matemática, ele começou a ajudar os colegas quando ainda era estudante. Antes das provas, ia ao quadro para explicar o conteúdo e tirar dúvidas da turma. Anos depois, voltou à mesma escola, dessa vez como professor, aos 23 anos. A chegada foi tão inesperada que até o porteiro teve dificuldade para reconhecê-lo no novo papel. “Quando eu fui adentrar na escola para me apresentar, o porteiro não sabia que eu era um professor e me barrou, perguntou: ‘Cadê o uniforme?’. Aí eu tive que explicar: ‘Não, tô vindo aqui pra me apresentar’”, relembra. Hoje, José Mário também ajuda a formar novos professores no curso normal do Instituto Sarah Kubitschek, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Na avaliação dele, a tecnologia e o interesse por outras possibilidades profissionais podem ajudar a explicar por que parte dos jovens não escolhe a docência. “Imagino que o avanço da tecnologia e também a questão do empreendedor, né? Muitos querem ser empreendedores, então muitos pretendem fazer seus próprios negócios, abrir algum comércio ou até mesmo vender coisas através da internet”, afirma. Jovens encontram inspiração na sala de aula No curso normal do Instituto Sarah Kubitschek, a estudante Maria Eduarda de Abreu da Silva, de 16 anos, conta que se aproximou da profissão durante a formação. A experiência e o contato com professores que a inspiraram foram decisivos para que ela se identificasse com a carreira. “Eu acabei me apaixonando pelo curso normal. [...] Depois que a gente ganha experiência, que eu vi a realidade da educação, eu vi um amor de muitos professores que me ajudaram no bem, eu falei: eu me tornei, pra mim, muito uma inspiração”, diz. As histórias mostram que, apesar dos desafios para atrair novos profissionais, a identificação com a docência e o exemplo de quem já está em sala de aula continuam influenciando jovens que consideram seguir a carreira.